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Diários da COP-21 (Final): Um acordo histórico, uma meta ambiciosa e a nossa tarefa

(Fotos: Carla Piranda / Reynaldo Morais)
(Fotos: Carla Piranda / Reynaldo Morais)

É oficial: nós temos um acordo global para o clima. Depois de mais de 20 anos de conversas, recuos, atrasos, negociações, pactuações e repactuações, enfim temos um acordo assinado por todos os países da ONU. Desde 1992 o planeta aguarda esse momento. Ainda que nossa tendência crítica seja sempre a de olhar com desconfiança, a hora é de comemorar. A meta de se ficar abaixo dos 2oC e seguir se esforçando para que não passe de 1,5oC está além do esperado.  É um forte indicativo para os governos e também para o mercado financeiro, que terá que rever e se ajustar à nova realidade de um mundo pós-petróleo.

O Brasil segue com metas medíocres, mas obteve um papel importante como negociador no BASIC (bloco de negociação que também inclui África do Sul, Índia e China). Deveria aproveitar esse bom momento para virar protagonista mais ousado. Nossas metas devem ser aprimoradas e incluir os nossos outros ecossistemas e não só a Amazônia. Nem devemos esperar até 2030 para acabar com o desmatamento ilegal. Desmatamento zero é uma antiga proposta do Partido Verde, sabemos que é possível seguir incluindo socialmente as pessoas sem derrubar uma só árvore. Ao contrário, a mata em pé é mais lucrativa e socialmente inclusiva.

A partir de agora, os verdes globais terão a tarefa de fiscalizar, propor e pressionar pelo cumprimento do acordo e seguir lutando para que os países façam sua parte e estabeleçam a cada ano metas mais ambiciosas e factíveis.

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Em tempo, a extrema-direita francesa - embora tenha crescido - perdeu em todas as 12 regiões nas quais disputava. Um sinal de que o povo francês vai continuar resistindo aos fundamentalismos.

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FABIANO CARNEVALE é Secretário de Relações Internacionais do Partido Verde, Co-Presidente da Federação dos Partidos Verdes das Américas e foi Delegado oficial da Global Greens na COP-21.

(Fotos: Carla Piranda / Reynaldo Morais)
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